Era uma noite fria de vento
suave aonde andava sozinho pela praça de uma cidade que, frequentemente,
passava minhas férias do mês de Junho. Não havia praticamente ninguém naquela
escura e fria praça naquele momento. Eu caminhava com meus pensamentos, buscava
o silêncio para ouvir a mim mesmo, pois procurava explicações para problemas
que passava tanto na vida particular quanto profissional.
Me aproximei de uma quadra e
fiquei observando alguns meninos brincando com uma bola velha, olhando aquela
cena lembrei-me de minha infância na cidade onde nasci, dos meus momentos de
diversão que passei com alguns amigos de verdade na qual levo a amizade até os
dias de hoje. Momentos que acabaram devido à distância, minha vida corrida e
cheia de trabalho que agora eu vivia.
Viajava nas lembranças
quando ao longe ouvi uma voz muito conhecida me chamar, olhei rapidamente para
trás e fiquei sem reação quando vi aquela linda pessoa que sorria olhando para
mim. Fui em sua direção e quando cheguei perto, disse:
- Você mudou tão pouco,
continua linda mesmo depois de tanto tempo.
Aquela linda criatura era
minha antiga namorada, alguém que nos meus dezesseis anos me fez muito feliz e
me deu uma tristeza enorme ao fim de nosso relacionamento, mas apesar do nosso
passado um tanto sofrido ainda tinha uma grande admiração por ela. Além do
mais, estava linda e o seu nome ainda saía de minhas cordas vocais da maneira
mais intensa possível: Cristina!
Ao longo da conversa que
tivemos naquela noite descobri que mesmo depois de tanto tempo ela continuava a
em deixar com um frio na barriga que alguns dizem ser o tal do amor. Naquela
noite explorei toda aquela escura e fria praça com Cristina até perceber que
havia me perdido no horário, às horas pareciam voar quando estava com ela;
sempre foi assim.
Aquela noite foi incrível,
pareceu que todo amor que sentia por Cristina na minha juventude havia voltado
de uma hora para outra, foi inevitável não acontecer um beijo entre nós dois,
tínhamos uma sintonia incrível. E o beijo dela era diferenciado, me fazia
viajar e imaginar que não existia pessoas ao meu redor.
Passaram-se os dias e todo
dia passamos a nos encontrar em algum lugar daquela pequena cidade, a cada
momento que estava com ela percebia que as horas voavam, aquela sensação era
algo difícil de descrever. Cristina era diferente para mim, eu a amava. Mas
como qualquer outra história de amor a nossa também teve momentos ruins. Sabia
que teria que voltar para o meu trabalho, para cidade onde agora eu morava, mas
não sabia como falar isso para minha amada, foi então que resolvi não contar
nada a ela (não naquele momento). Tudo estava mágico que decidi não revelar que
iria embora daqui a alguns dias, procurei realizar tudo de mais intenso com
aquela mulher, queria viver momentos inesquecíveis com Cristina como nunca
aconteceu. Se existisse uma mulher perfeita para cada um de nós ela era a
minha.
O tempo passou rápido
demais, os dias voaram, chorava por dentro toda vez que percebia que o momento
de minha ida estava chegando. Não demorou muito para perceber que já faltava um
dia para minha ida e meu coração apertava em meu peito, imaginava com seria
difícil viver sem receber aquele carinho tão bom que Cristina me dava, fiquei
pensativo. Não queria magoa-la, imaginei em meus pensamentos como seria reação
dela ao saber que os nossos momentos lindos de amor iriam acabar, foi pensando
nisso que, finalmente, resolvi contar a ela.
A convidei para comer algo
no hotel onde estava hospedado e ao fim de nosso almoço segurei em suas mãos e
falei:
- Eu te amo de verdade, como
nunca amei ninguém na vida triste e solitária.
Quando ela ouviu aquilo sair
de minha boca olhou em meus olhos, sorriu e perguntou:
- Você quer me falar algo?
Acho que aquele meu olhar
triste me entregava, ele denunciava que iria falar algo ruim, foi difícil
aquele momento, pois iria dizer adeus para uma mulher que eu amava de verdade.
Não sabia quando iria voltar para aquela cidade, muito menos quando iria voltar
a ver Cristina. Tinha certeza que ela se magoaria comigo, não queria isso, mas
não havia outra alternativa. Porém, antes de começar a falar Cristina me
surpreendeu, dizendo:
- Você vai voltar para sua
cidade?
Fiquei sem palavras olhando
para ela, minha mão começou a suar, Cristina havia me deixado assim naquele
momento. Sem saber o que dizer para ela percebi que Cristina estava com os
olhos cheios de lágrimas e algumas já deslizavam por seu lindo rosto. Olhou
para mim, se levantou, foi embora e me deixou ali sem reação. Fiquei totalmente
em pedaços, me sentindo um completo idiota, com o coração partido em mil e um
pedaços.
Depois do acontecido pareceu
que tudo ficou ruim em minha vida novamente, o lindo sonho que estava vivendo
com Cristina havia acabado, sabia que ela nunca iria me perdoar. Ali no quarto
do hotel arrumava minha mala com o coração partido, as horas pareciam não
passar, queria ir logo embora para voltar a ocupar minha cabeça e parar de
pensar naquilo que me machucava tanto.
Quando estava indo a caminho
do porto da cidade passei pela praça da cidade aonde reencontrei Cristina em
uma escura e fria noite, as lembranças vieram para me machucar ainda mais e o
gosto do beijo daquela mulher veio em minha boca, queria muito me despedir
antes de partir, dizer um te amo seguido de um cruel adeus. Deitado na rede
pensando em mil e umas coisas ouvia músicas à espera do barco partir, foi
quando me assustei com alguém deitando junto a mim, mas o susto logo se
transformou em alegria quando vi que o corpo deitado junto ao meu era o de
Cristina. Porém, me assustei ainda mais quando ela me beijou intensamente e
disse indo embora:
- Saiba que não importa o
lugar em que você esteja e nem quanto tempo eu passe sem lhe ver, eu nunca vou
deixar de te amar. Espero que o tempo possa passar rápido e eu possa estar nos
seus braços novamente.
Não conseguir falar nada, só
levantei quando o barco estava partindo e vi Cristina lagrimando e balançando
as duas mãos em minha direção. Meu coração deixou de existir naquele momento
tamanha dor que sentia.
Demorei a encontrar Cristina
novamente, foram mais de cinco anos sem vê-la. Encontrei ela na capital, ela
morava com seu marido e estava grávida do seu primeiro filho, já eu continuava
solteiro. Quando tive a oportunidade de conversar com ela confessei que sonhava
ser o pai do seu filho e o homem da sua vida, mas infelizmente a vida é um
pouco injusta às vezes. Hoje somos amigos, moramos perto um do outro. Seu único
filho namora umas das minhas filhas (a mais velha), e isso tudo me leva a
conclusão de que de um jeito ou de outro a vida deu um jeito de nos unir, mesmo
não sendo da maneira que eu e Cristina queríamos. Nossa história não teve um
“final feliz” como é de costume nessas histórias de amor de hoje em dia, mas os
momentos que passamos juntos foram de pura felicidade e amor verdadeiro, e isso
é melhor que qualquer outra coisa, pois transforma algo bonito em verdadeiro e
inesquecível.
Crônica dedicada a Dayanne
Almeida.
A magia do amor presente na vida do ser humano, é um círculo, pessoas se reencontram em algum momento do tempo. Perfeito sua história amigo.
ResponderExcluirParabéns!!
Que bom que gostou da história Jocinei, muito obrigado pela grande ajuda que você me dá sempre que preciso.
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