quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A História de Amor sem um “Final Feliz”



Era uma noite fria de vento suave aonde andava sozinho pela praça de uma cidade que, frequentemente, passava minhas férias do mês de Junho. Não havia praticamente ninguém naquela escura e fria praça naquele momento. Eu caminhava com meus pensamentos, buscava o silêncio para ouvir a mim mesmo, pois procurava explicações para problemas que passava tanto na vida particular quanto profissional.
Me aproximei de uma quadra e fiquei observando alguns meninos brincando com uma bola velha, olhando aquela cena lembrei-me de minha infância na cidade onde nasci, dos meus momentos de diversão que passei com alguns amigos de verdade na qual levo a amizade até os dias de hoje. Momentos que acabaram devido à distância, minha vida corrida e cheia de trabalho que agora eu vivia.
Viajava nas lembranças quando ao longe ouvi uma voz muito conhecida me chamar, olhei rapidamente para trás e fiquei sem reação quando vi aquela linda pessoa que sorria olhando para mim. Fui em sua direção e quando cheguei perto, disse:
- Você mudou tão pouco, continua linda mesmo depois de tanto tempo.
Aquela linda criatura era minha antiga namorada, alguém que nos meus dezesseis anos me fez muito feliz e me deu uma tristeza enorme ao fim de nosso relacionamento, mas apesar do nosso passado um tanto sofrido ainda tinha uma grande admiração por ela. Além do mais, estava linda e o seu nome ainda saía de minhas cordas vocais da maneira mais intensa possível: Cristina!
Ao longo da conversa que tivemos naquela noite descobri que mesmo depois de tanto tempo ela continuava a em deixar com um frio na barriga que alguns dizem ser o tal do amor. Naquela noite explorei toda aquela escura e fria praça com Cristina até perceber que havia me perdido no horário, às horas pareciam voar quando estava com ela; sempre foi assim.
Aquela noite foi incrível, pareceu que todo amor que sentia por Cristina na minha juventude havia voltado de uma hora para outra, foi inevitável não acontecer um beijo entre nós dois, tínhamos uma sintonia incrível. E o beijo dela era diferenciado, me fazia viajar e imaginar que não existia pessoas ao meu redor.
Passaram-se os dias e todo dia passamos a nos encontrar em algum lugar daquela pequena cidade, a cada momento que estava com ela percebia que as horas voavam, aquela sensação era algo difícil de descrever. Cristina era diferente para mim, eu a amava. Mas como qualquer outra história de amor a nossa também teve momentos ruins. Sabia que teria que voltar para o meu trabalho, para cidade onde agora eu morava, mas não sabia como falar isso para minha amada, foi então que resolvi não contar nada a ela (não naquele momento). Tudo estava mágico que decidi não revelar que iria embora daqui a alguns dias, procurei realizar tudo de mais intenso com aquela mulher, queria viver momentos inesquecíveis com Cristina como nunca aconteceu. Se existisse uma mulher perfeita para cada um de nós ela era a minha.
O tempo passou rápido demais, os dias voaram, chorava por dentro toda vez que percebia que o momento de minha ida estava chegando. Não demorou muito para perceber que já faltava um dia para minha ida e meu coração apertava em meu peito, imaginava com seria difícil viver sem receber aquele carinho tão bom que Cristina me dava, fiquei pensativo. Não queria magoa-la, imaginei em meus pensamentos como seria reação dela ao saber que os nossos momentos lindos de amor iriam acabar, foi pensando nisso que, finalmente, resolvi contar a ela.
A convidei para comer algo no hotel onde estava hospedado e ao fim de nosso almoço segurei em suas mãos e falei:
- Eu te amo de verdade, como nunca amei ninguém na vida triste e solitária.
Quando ela ouviu aquilo sair de minha boca olhou em meus olhos, sorriu e perguntou:
 - Você quer me falar algo?
Acho que aquele meu olhar triste me entregava, ele denunciava que iria falar algo ruim, foi difícil aquele momento, pois iria dizer adeus para uma mulher que eu amava de verdade. Não sabia quando iria voltar para aquela cidade, muito menos quando iria voltar a ver Cristina. Tinha certeza que ela se magoaria comigo, não queria isso, mas não havia outra alternativa. Porém, antes de começar a falar Cristina me surpreendeu, dizendo:
- Você vai voltar para sua cidade?
Fiquei sem palavras olhando para ela, minha mão começou a suar, Cristina havia me deixado assim naquele momento. Sem saber o que dizer para ela percebi que Cristina estava com os olhos cheios de lágrimas e algumas já deslizavam por seu lindo rosto. Olhou para mim, se levantou, foi embora e me deixou ali sem reação. Fiquei totalmente em pedaços, me sentindo um completo idiota, com o coração partido em mil e um pedaços.
Depois do acontecido pareceu que tudo ficou ruim em minha vida novamente, o lindo sonho que estava vivendo com Cristina havia acabado, sabia que ela nunca iria me perdoar. Ali no quarto do hotel arrumava minha mala com o coração partido, as horas pareciam não passar, queria ir logo embora para voltar a ocupar minha cabeça e parar de pensar naquilo que me machucava tanto.
Quando estava indo a caminho do porto da cidade passei pela praça da cidade aonde reencontrei Cristina em uma escura e fria noite, as lembranças vieram para me machucar ainda mais e o gosto do beijo daquela mulher veio em minha boca, queria muito me despedir antes de partir, dizer um te amo seguido de um cruel adeus. Deitado na rede pensando em mil e umas coisas ouvia músicas à espera do barco partir, foi quando me assustei com alguém deitando junto a mim, mas o susto logo se transformou em alegria quando vi que o corpo deitado junto ao meu era o de Cristina. Porém, me assustei ainda mais quando ela me beijou intensamente e disse indo embora:
- Saiba que não importa o lugar em que você esteja e nem quanto tempo eu passe sem lhe ver, eu nunca vou deixar de te amar. Espero que o tempo possa passar rápido e eu possa estar nos seus braços novamente.
Não conseguir falar nada, só levantei quando o barco estava partindo e vi Cristina lagrimando e balançando as duas mãos em minha direção. Meu coração deixou de existir naquele momento tamanha dor que sentia.
Demorei a encontrar Cristina novamente, foram mais de cinco anos sem vê-la. Encontrei ela na capital, ela morava com seu marido e estava grávida do seu primeiro filho, já eu continuava solteiro. Quando tive a oportunidade de conversar com ela confessei que sonhava ser o pai do seu filho e o homem da sua vida, mas infelizmente a vida é um pouco injusta às vezes. Hoje somos amigos, moramos perto um do outro. Seu único filho namora umas das minhas filhas (a mais velha), e isso tudo me leva a conclusão de que de um jeito ou de outro a vida deu um jeito de nos unir, mesmo não sendo da maneira que eu e Cristina queríamos. Nossa história não teve um “final feliz” como é de costume nessas histórias de amor de hoje em dia, mas os momentos que passamos juntos foram de pura felicidade e amor verdadeiro, e isso é melhor que qualquer outra coisa, pois transforma algo bonito em verdadeiro e inesquecível.

Crônica dedicada a Dayanne Almeida.

2 comentários:

  1. A magia do amor presente na vida do ser humano, é um círculo, pessoas se reencontram em algum momento do tempo. Perfeito sua história amigo.

    Parabéns!!

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    1. Que bom que gostou da história Jocinei, muito obrigado pela grande ajuda que você me dá sempre que preciso.

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